O Homem XX: 1 em cada 20.000 homens é assim

A CONDIÇÃO CLÍNICA CONHECIDA COMO "HOMEM XX" É CARACTERIZADA PELO FENÓTIPO MASCULINO, GENITÁLIA MASCULINA E CARIÓTIPO 46,XX.

O Homem XX, descrito em 1964 por De la Chapelle, é raro e ocorre em 1 de cada 20.000 recém-nascidos do sexo masculino. A maioria dos pacientes (80%) não apresenta ambigüidade genital, assim sendo, este é um diagnóstico dificilmente feito na faixa etária pediátrica. Eventualmente, o diagnóstico pode ser feito na época da puberdade, uma vez que 1/3 dos pacientes desenvolvem ginecomastia.


O diagnóstico costuma ser feito no adulto devido à esterilidade, na faixa etária pediátrica, ele é feito nos casos com ambigüidade genital ou ginecomastia. Na maioria dos pacientes é detectado o gene SRY(Sex-determining Region of the Y chromosome), o que explica a diferenciação testicular, porém em 20% dos casos ele está ausente, o que torna evidente que a determinação gonadal é um processo dependente de múltiplos genes e fatores de transcrição.


Esses pacientes apresentam, em geral, diminuição da pilosidade facial e tendência à distribuição feminina de pêlos pubianos. Os testículos têm pequeno volume, e o aspecto histológico assemelha-se ao da síndrome de Klinefelter. Com relação à estatura, esta tende a ser intermediária entre a masculina e a feminina.


TODOS OS HOMENS XX SÃO ESTÉREIS E NA INVESTIGAÇÃO DAS CAUSAS DA ESTERILIDADE,

ESSA CONDIÇÃO GENÉTICA PODE SER DESCOBERTA.


Os dutos de Wolff, desenvolvem-se em estruturas masculinas (epidídimo, deferente, vesícula seminal, ductos ejaculatórios) e os ductos de Müller, não desenvolvem-se em estruturas femininas, pois sofrem apoptose (morte celular programada), resultado da atuação do hormônio anti-mülleriano produzido pelas células de Sertoli. A secreção de testosterona pelas células de Leydig costuma ser normal.


A detecção do gene SR (Sex-determining Region on the chromosome) em 80% dos pacientes elucidou o motivo pelo qual, na ausência do cromossomo Y, a gônada bissexual se diferencia em testículo. Os 20% que apresentam ambigüidade genital em geral não apresentam o SR e parecem fazer parte de um grande espectro que tem, de um lado, as mulheres normais, 46,XX, com ovários normais quanto a estrutura e função, passa por uma grande faixa em que coexistem tecido ovariano e testicular (hermafroditas verdadeiros) e culmina com o homem XX, onde somente tecido testicular se desenvolve.


EXISTE UM MECANISMO GENÉTICO MUITO MAIS AMPLO NA DETERMINAÇÃO

ENTRE TESTÍCULO OU OVÁRIO DO QUE INICIALMENTE SE SUPUNHA.

Therkelsen, em 1964, já aventava a hipótese de que uma translocação entre os cromossomos X e Y faria com que genes do Y responsáveis pela determinação testicular pudessem ser transferidos para o X aparentemente normal, mas que, na verdade, funcionaria como um "cavalo-de-tróia" e desencadearia a diferenciação do testículo.


A quantidade de material do cromossomo Y translocada sobre o cromossomo X paterno varia desde a maior parte do braço curto até um minúsculo segmento adjacente à região pseudo-autossômica, e em 1/3 dos casos os pontos de quebra localizam-se dentro de uma região de 140kb que inclui o gene da proteíno-quinase no cromossomo Y (PRKY) e no X (PRKX). PRKX e PRKY apresentam 94% de homologia e orientação idêntica nos cromossomos sexuais.


Muito mais difícil, porém, é o entendimento de como a diferenciação testicular pode se dar em um indivíduo sem o cromossomo Y e sem o gene SR, o que ocorre em 20% dos casos de homens XX. Esse fato indica que genes autossômicos e/ou ligados ao X devem fazer parte de um mecanismo muito mais amplo de determinação gonadal do que inicialmente se supunha.


Uma vez que todos os homens XX são estéreis, é no momento da investigação da causa da esterilidade que o diagnóstico acaba sendo feito, ao ser detectado o cariótipo 46,XX em um indivíduo com fenótipo masculino. Embora em humanos a presença de dois cromossomos X seja necessária para a oogênese (que está, portanto, ausente nas mulheres XY), esta é incompatível com a espermatogênese. Acredita-se, ainda, que os genes determinantes da espermatogênese encontram-se no cromossomo Y.


O estudo de homens XX, bem como de hermafroditas verdadeiros 46,XX (que também desenvolvem tecido testicular sem apresentarem cromossomo Y e, na sua grande maioria, sem apresentar SRY), pode permitir uma melhor compreensão acerca dos mecanismos envolvidos na determinação gonadal, ou seja, na transformação da gônada indiferenciada em testículo ou ovário.


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